Há coisas que só acontecem quando alguém coloca um papel sobre a mesa e diz: olha isso. Pode ser um zine dobrado à mão, uma xilogravura, uma revista que não caberia em uma banca de jornal, um fotolivro, uma serigrafia, uma ilustração ou um pequeno objeto gráfico cujo valor não está apenas no que representa, mas também na maneira como foi feito. Entre tinta, papel, cola, corte, dobra e conversa, a arte impressa recupera uma de suas vocações mais antigas: aproximar pessoas. É nesse território — entre a literatura, as artes visuais, o design e a cultura gráfica — que a Feira [SUB] realiza sua oitava edição, em 12 de setembro, na Biblioteca Pública Municipal Professor Ernesto Manoel Zink, em Campinas. Das 11h às 20h, mais de 90 expositores ocupam o espaço com publicações e trabalhos autorais vindos de diferentes regiões do Brasil e também do exterior. A entrada é gratuita. Criada em 2016, a [SUB] chega a uma década de existência mantendo uma espécie de contramão como princípio: fazer circular aquilo que muitas vezes nasce longe dos grandes circuitos de arte, das vitrines e das prateleiras convencionais. São editoras independentes, coletivos, artistas, designers e produtores que encontram na impressão não apenas um suporte, mas uma linguagem. “Este ano a SUB completa 10 anos desde sua primeira edição. Nesse período, vimos crescer não apenas a feira, mas toda uma produção independente que encontra na publicação, na impressão e na circulação de trabalhos autorais uma forma potente de expressão. A SUB nasceu para criar espaço para essa produção existir, circular e encontrar público. Ao longo desses dez anos, vimos crescer, também, o público que vem à feira para descobrir novos artistas, conhecer os trabalhos e fazer parte desse circuito. Para nós, a SUB é também uma afirmação de que a produção independente precisa de espaços próprios de circulação, encontro e visibilidade”, afirma Marcela Pacola, uma das idealizadoras e produtora da [SUB]. A gente segue com a proposta de trazer expositores que nunca participaram de edições anteriores da SUB, mantendo o ineditismo dos trabalhos. Este ano, cerca de 40% participam da SUB pela 1ª. vez”, complementa. A diversidade dos participantes ajuda a desenhar esse mapa. Campinas aparece em peso, mas divide a mesa com artistas e projetos de São Paulo, Londrina, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Santos, Paraty, Porto Alegre, Palhoça, Bauru, Piracicaba, Araraquara, entre outras cidades. Há ainda a presença de projetos de Buenos Aires e da Argentina. É um circuito que não se mede apenas por distância geográfica. Mede-se por encontros. Quem chega à [SUB] pode comprar uma publicação, mas também descobrir como ela nasceu, conversar com quem a imprimiu, perguntar sobre uma técnica, acompanhar um processo ou simplesmente folhear algo que provavelmente jamais encontraria por acaso.
“Estamos na oitava edição e algo que sempre nos chama a atenção é o interesse genuíno do público pelos trabalhos e pela possibilidade de conhecer de perto quem está por trás deles. Na [SUB], a oportunidade de conversar com o artista ou editor sobre o caminho pensado pra chegar no resultado final e sobre as técnicas, muitas vezes artesanais, dos processos de impressão gráfica é algo que amplia o conhecimento e o pensamento crítico. São trabalhos nos quais forma e conteúdo se complementam e, na maioria das vezes, de maneira bastante surpreendente”, garante Fabiana Pacola, co-produtora da [SUB]. “A aproximação entre arte, literatura e design também cria um campo fértil de ideias e de trocas. E tudo acontece dentro de uma Biblioteca pública que nesse dia troca o silêncio por um burburinho bom”, completa. que nunca participaram de edições anteriores da SUB, mantendo o ineditismo dos trabalhos. Este ano, cerca de 40% participam da SUB pela 1ª. vez”, complementa. A diversidade dos participantes ajuda a desenhar esse mapa. Campinas aparece em peso, mas divide a mesa com artistas e projetos de São Paulo, Londrina, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Santos, Paraty, Porto Alegre, Palhoça, Bauru, Piracicaba, Araraquara, entre outras cidades. Há ainda a presença de projetos de Buenos Aires e da Argentina. É um circuito que não se mede apenas por distância geográfica. Mede-se por encontros. Quem chega à [SUB] pode comprar uma publicação, mas também descobrir como ela nasceu, conversar com quem a imprimiu, perguntar sobre uma técnica, acompanhar um processo ou simplesmente folhear algo que provavelmente jamais encontraria por acaso. que nunca participaram de edições anteriores da SUB, mantendo o ineditismo dos trabalhos. Este ano, cerca de 40% participam da SUB pela 1ª. vez”, complementa. A diversidade dos participantes ajuda a desenhar esse mapa. Campinas aparece em peso, mas divide a mesa com artistas e projetos de São Paulo, Londrina, Curitiba, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Santos, Paraty, Porto Alegre, Palhoça, Bauru, Piracicaba, Araraquara, entre outras cidades. Há ainda a presença de projetos de Buenos Aires e da Argentina. É um circuito que não se mede apenas por distância geográfica. Mede-se por encontros. Quem chega à [SUB] pode comprar uma publicação, mas também descobrir como ela nasceu, conversar com quem a imprimiu, perguntar sobre uma técnica, acompanhar um processo ou simplesmente folhear algo que provavelmente jamais encontraria por acaso.
Talvez esteja aí uma das imagens mais bonitas da feira: uma biblioteca pública trocando o silêncio pelo burburinho. Por algumas horas, o lugar tradicionalmente associado à leitura individual se transforma em espaço de circulação, descoberta e convivência. Livros deixam de ser apenas objetos nas estantes. Tornam-se conversa, troca, matéria, processo. A programação acompanha essa vocação. Entre 13h e 18h, Mirs Monstrengo conduz uma mesa de stencil e lambe- lambes, criando imagens ao vivo a partir de camadas de stencil art. O público poderá acompanhar o processo e também experimentar a técnica. Das 14h às 17h, Ana Angélica Costa apresenta as “Câmeras de Vestir”, câmaras obscuras em formato de capacete que transformam princípios básicos da formação da imagem em uma experiência corporal e lúdica. Às 15h, os vinis de Riva Rock Discos entram em cena para criar a trilha sonora da feira — uma presença que acompanha a [SUB] desde sua primeira edição. Às 16h, na frente da Biblioteca Zink, o Festival Hercule Florence de Fotografia promove uma colagem coletiva de lambe- lambes, com Ricardo Lima, levando a ação gráfica para os muros da E.E. Carlos Gomes. A feira também se espalha para além do dia 12. Até 30 de setembro, a Biblioteca Zink recebe a exposição da artista Marina Schenkel, autora do cartaz da [SUB] 2026, com trabalhos que transitam por referências de HQ e abordam afeto, desejo e violência. Na Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho (BORA), da Unicamp, permanece até 26 de outubro a exposição “Estado de Edição”, de Élcio Miazaki. A mostra reúne estudos, documentos, fotografias, publicações e registros que revelam processos de criação de obras apresentadas pelo artista no Memorial de Direitos Humanos Ocupado, antigo DOPS/MG, em Belo Horizonte, após o episódio de censura que impediu sua abertura em Ouro Preto, em 2026.
SERVIÇO Feira [SUB] de Arte Impressa e Publicações Independentes — 2026 12 de setembro de 2026, das 11h às 20h Biblioteca Pública Municipal Professor Ernesto Manoel Zink Avenida Benjamin Constant, 1633, Centro, Campinas (SP) Entrada gratuita. São exposições que, de maneiras diferentes, ampliam uma mesma pergunta: o que acontece entre a ideia e aquilo que finalmente chega às mãos de alguém? A [SUB] parece interessada justamente nesse intervalo. No erro, no teste, na textura, na pequena tiragem, no objeto feito sem a promessa de alcançar milhares de pessoas. Num tempo em que quase tudo nasce para ser visto numa tela e desaparecer poucos segundos depois, há algo de radical em produzir uma coisa que possa ser segurada. Talvez por isso uma feira de publicações independentes seja também uma feira de encontros. Porque, no fim, o papel é apenas o começo. Programação 13h às 18h — Mesa de Stencil / Lambe- lambes Com Mirs Monstrengo. Criação de lambe-lambes ao vivo a partir de camadas de stencil art. Participação do público. Gratuita. Classificação livre; menores de 16 anos acompanhados dos responsáveis. 14h às 17h — Câmeras de Vestir e Outras Imaginhações Com Ana Angélica Costa. Experiência com câmaras obscuras em formato de capacetes para explorar, de maneira lúdica, os princípios da formação da imagem. Gratuita. Classificação livre; menores de 16 anos acompanhados dos responsáveis. 15h às 20h — Discotecagem Com Riva Rock Discos. 16h — Colagem de Lambes — Festival Hercule Florence Com Ricardo Lima. Ação coletiva na frente da Biblioteca Zink, nos muros da E.E. Carlos Gomes. Gratuita. Classificação livre; menores de 16 anos acompanhados dos responsáveis. Até 30/9 — Exposição Marina Schenkel Trabalhos da artista autora do cartaz da [SUB] 2026, com referências de HQ e temas como afeto, desejo e violência. Biblioteca Zink. De segunda a sexta, das 9h às 17h. Gratuita. Até 26/10 — “Estado de Edição”, de Élcio Miazaki Biblioteca de Obras Raras Fausto Castilho (BORA/Unicamp), Rua Sérgio Buarque de Holanda, 441, Cidade Universitária, Campinas. De segunda a sexta, das 9h às 17h. Gratuita. Classificação 14 anos. A Feira [SUB] é realizada pelo Mix Estúdio Criativo, com apoio da Secretaria de Cultura e Turismo de Campinas, da Biblioteca Pública Municipal Professor Ernesto Manoel Zink, da Extecamp por meio do Curso de Especialização em Design Gráfico, IA-Instituto de Artes/Unicamp e parceiros. Mais informações: feirasub.com.br | @feirasub