Cultura em 1minuto #62 – O que ainda pode ser futuro

Cultura em 1minuto #62 – O que ainda pode ser futuro

Diário Campineiro
17 de abril de 2026
Cultura em 1 Minuto Abril 2026

Vivemos uma época curiosa: fala-se muito em futuro, mas quase sempre como produto. Tecnologia, velocidade, inovação — palavras repetidas até perderem densidade. Como se o amanhã pudesse ser comprado, automatizado ou reduzido a tendência.

Mas talvez o futuro esteja em outro lugar.

Talvez ele esteja num parque urbano que devolve sombra a uma cidade exausta. Num laboratório de cinema que insiste no processo em vez da pressa. Num músico que transforma diagnóstico em linguagem. Numa artista que usa o próprio corpo para confrontar a história. Numa praça ocupada por reggae, feira e convivência. Numa palavra escrita à mão em um mural coletivo.

Talvez o futuro não esteja no novo, mas no que ainda consegue permanecer vivo.

Esta edição nasce dessa inquietação.

Ao reunir reportagens sobre urbanismo, música, arte, literatura, performance e política cultural, não buscamos apenas registrar acontecimentos. Buscamos observar aquilo que pulsa por baixo deles: a tentativa constante de reinventar pertencimento.

Há algo em comum entre um parque e uma canção, entre uma peça de teatro e uma roda de jongo, entre uma oficina de autorretrato e um bar de esquina em disputa afetiva. Todos são formas de permanência. Todos são disputas de narrativa. Todos respondem, à sua maneira, à mesma pergunta: como seguir habitando o mundo sem aceitar sua forma pronta?

A cultura, quando levada a sério, não serve apenas para ornamentar a vida. Ela reorganiza o olhar. Ela interrompe automatismos. Ela devolve complexidade ao que parecia banal.

Por isso, esta não é uma edição sobre eventos.
É uma edição sobre fricções.

Sobre o que ainda resiste.
Sobre o que ainda insiste.
Sobre o que ainda pode ser futuro.

E talvez seja justamente aí — entre o silêncio e o som, entre a cidade e o corpo, entre a margem e o centro — que mora a tarefa mais importante do jornalismo cultural: não apenas contar o presente, mas ampliar sua possibilidade de existência.

Seguimos.

Porque imaginar também é um ato político.

Confira a edição completa neste link – cultura em 1 minuto #62_compressed.pdf – Google Drive

Notícia na íntegra aqui: